5 erros comuns dos esquiadores intermediários (e como solucioná-los) 5 erros comuns dos esquiadores intermediários (e como solucioná-los)
Data
12 3 2021
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5 erros comuns dos esquiadores intermediários (e como solucioná-los)

Escrito por Alec Blossom, professor de esqui da Escola de Esqui de Portillo.

Como esquiador intermediário, você está explorando a montanha com a confiança de novas habilidades para esquiar. É uma grande sensação e você deveria aproveitá-la ao máximo, mas leve em conta que nas áreas intermediárias é mais fácil desenvolver maus hábitos, motivo pelo qual não é má ideia fazer uma aula. À medida que você pratique e melhore sua técnica, é importante ter um par de olhos experientes para garantir que o esforço que você está fazendo te ajude e não te machuque. A prática faz o Mestre!

Aqui você poderá conhecer os 5 erros mais comuns dos esquiadores intermediários e como solucioná-los.


1.) Ser muito ambicioso em novos terrenos

O erro mais comum que vejo na montanha é que os esquiadores se desafiam em declives que estão fora de seu nível de habilidade. Apesar de ser tentador provar sua nova confiança nas pistas para experientes, o melhor que um esquiador intermediário pode fazer é se manter em pistas de seu nível. Isso se deve, em grande parte, a um tema de segurança: ninguém quer terminar sua descida ou a temporada em uma maca da patrulha de esqui. Além disso, há muitos outros benefícios de se manter nas pistas intermediárias.

Ao se apegar a um terreno mais familiar, você terá a oportunidade de praticar novas habilidades em um ambiente que te permite experimentar. É muito mais fácil lidar com o equilíbrio e a técnica em um terreno mais fácil, em vez de estar preocupado em não cair nas pistas mais complexas. Quando você esquia em terrenos que estão fora da sua zona de conforto, é mais provável que recorra a maus hábitos antigos, simplesmente porque se sente seguro. Em um terreno mais cômodo, por outro lado, será muito mais fácil provar novas técnicas e cometer erros sem se machucar.

Certamente, isso não significa que você não deva provar coisas novas. No final, a única maneira de melhorar é sair de sua zona de conforto de vez em quando. A chave é conseguir equilíbrio, com a maior parte de seu tempo em terreno familiar e às vezes saindo dele, aventurando-se um pouco mais.


2.) Esquiar no assento traseiro

Esquiar no assento traseiro significa que você está se inclinando demais para trás ao descer a pista. Praticamente todos os esquiadores incorrem neste erro em algum ponto de suas vidas e é algo que pode ir melhorando em seu processo, mas quanto antes você começar a solucionar isso, melhor. Aprender a colocar pressão na parte frontal de seus esquis te ajudará a controlar sua velocidade nas descidas, manter o controle durante saltos e quedas, e – o mais importante – ajuda a evitar lesões de joelho, as mais comuns neste esporte.

Você pode saber se está esquiando no assento traseiro se:

  • Sente dor no joelho (resultado de demasiada pressão em sua panturrilha na parte de trás de seu pé)
  • Frequentemente você cai para trás
  • Você tem dificuldade em deslizar seus esquis em uma curva ou mover a parte interior para trocar de lado.

Conseguir uma postura boa e agressiva é algo em que você trabalhará por um tempo, mas aqui estão alguns conselhos para começar.

Primeiro, pratique colocar a pressão na frente de sua bota. É como se você tratasse de empurrar seu joelho para baixo, até seus dedos do pé, flexionando os músculos do tornozelo. Você saberá que está fazendo certo quando verificar que sua bota se curva na dobra do tornozelo. Em seguida, em uma pista mais fácil, tente fazer um salto. As primeiras vezes, apenas trate de ir direto para cima e para baixo e acostume-se a esta sensação. Em seguida comece a colocar mais dificuldade saltando com a parte de trás de seus esquis e descendo com a parte da frente. Se não estiver fazendo da maneira correta, a parte posterior de seus esquis será a última a tocar a neve e a ponta será a primeira a pousar.


3.) Muita pressão nas bordas internas de seus esquis

Como esquiador intermediário, o mais provável é que você já não esteja usando a técnica de “cuña” para controlar a velocidade, frear e girar na maioria dos contextos, mas a memória muscular destes primeiros momentos ainda está presente em seu esqui. Muitos esquiadores intermediários apresentam o que se chama “marco A”, que é colocar a mesma quantidade de pressão em cada um dos esquis.

Pode parecer que você esteja esquiando em paralelo, mas, até que você não corrija este erro, o mais provável é que ainda tenha algo de cuña em suas curvas. Para um esquiador experiente, cada curva representa uma grande mudança de pressão de um esqui para o outro. Na parte mais larga da curva, é provável que um experiente tenha mais de 90% de seu peso apenas no esqui exterior, mantendo a pressão suficiente no interior para deixar o exterior em paralelo. Apenas por um breve segundo na transição entre curvas fará a mesma pressão em ambos os esquis. Esta habilidade tem muito a ver com sua técnica e com muita confiança, por isso a solução é prática, prática e mais prática! Conseguir equilibrar-se no esqui exterior pode ser difícil, mas ensaiando certos movimentos você pode tornar isto mais fácil.

 

Como mencionei, o primeiro passo é praticar em pistas mais fáceis para que, quando essas técnicas já estiverem dominadas, você possa experimentá-las em pistas mais instigantes. Então comece por uma pista para principiantes e ensaie suas curvas ao descer. Em cada curva, trate de levantar o esqui interior na maior quantidade de vezes que puder. Comece fazendo uma vez, em seguida duas e assim por diante. O objetivo é poder fazer cada curva com um esqui na neve e o outro no ar. Para levar este exercício um passo adiante, tente manter a ponta do esqui interior em contato com a neve enquanto a parte de trás se levanta para o ar.


4.) Girar os ombros ao lado dos esquis

Você poderá notar nos esquiadores experientes que eles sempre têm o olhar na pista. Seja Ted Ligety passando pelas bandeiras ou Ingrid Backstrom ziguezagueando por uma íngreme pista do Alasca, qualquer um que esquie em um nível mais alto manterá a parte superior do corpo quase na vertical, com os ombros perpendiculares à linha de queda do declive enquanto suas pernas e quadril dançam de um lado para outro nos giros. Para a maioria, isso pareceria ser uma função puramente de ótica: precisam ver para onde se dirigem. Na realidade, essa habilidade beneficia muito mais que o simples planejamento de linhas. A habilidade da qual estamos tratando aqui se chama separação entre a parte superior do corpo, e pode ser uma das mais benéficas para melhorar o nível intermediário.

Ao separar seus movimentos no quadril, você poderá se adaptar às curvas com as pernas, fazendo giros fechados através de terrenos difíceis ou curvas longas em uma área mais ampla. Você deveria notar que melhora em sua tração e controle, tudo enquanto mantém facilmente o foco no declive abaixo. Muitos esquiadores de nível intermediário perceberão que seus ombros tendem a seguir seu quadril, terminando cada volta olhando para o lado da pista. Para corrigir isso, pegue seus bastões de cabeça para baixo e faça uma cruz. Em seguida, procure um lugar na parte inferior da quadra onde você está esquiando (a base da montanha ou a linha de elevação funcionam bem) e tente manter o alvo de seus bastões apontando para o mesmo lugar enquanto realiza giros cuidadosos sob baixa velocidade. Você deve sentir seu quadril trabalhando para manter a parte superior do corpo apontando declive abaixo enquanto suas pernas vão da esquerda para a direita sobre a neve. Cuidado: enquanto você realiza este exercício você deve estar atento ao seu entorno, então se certifique de não sucumbir à visão de túnel.

5.) Evitar a Escola de Esqui
Pode ser tentador imaginar que você se formou na escola de esqui uma vez que você pode navegar com êxito por terrenos azuis e, às vezes, pretos, sem desastre. Está cheio de confiança, esquia rápido e você se diverte fazendo isso. Por que diabos você necessitaria gastar mais em aulas se você pode fazer por conta própria? Na verdade, a prática é importante e não é necessário passar cada hora na colina com um instrutor, mas isso não significa que deva se manter distante de tudo. O nível intermediário é o momento mais fácil para desenvolver maus hábitos que te prejudicarão mais adiante em seu desenvolvimento. Todas as habilidades mencionadas anteriormente são certamente coisas que você pode (e deve) praticar por conta própria, mas ter um segundo par de olhos de vez em quando, particularmente os de um profissional capacitado, será inestimável para avaliar seu progresso, dar uma resposta e, mais essencialmente, te guiar através de inevitáveis frustações.  Tenha segurança que passar de um esquiador intermediário a avançado requer trabalho, mas com um instrutor experiente você pode assegurar que o trabalho realizado afetará diretamente seus objetivos.